domingo, 30 de dezembro de 2012

Mágoas acumuladas assim como as lágrimas

Palavras engasgadas
Que, assim como o choro, vão sendo engolidas
Pelas mesmas falácias de todos os anos
Pelas mesmas mentiras de todas as horas

Gritos nos meus ouvidos
Me acompanham assim como a batida de um coração
E tudo se repete
Repito, tudo se repete

Os ''Natais'' são iguais
Assim como as viradas dos anos
Nada muda, assim como eu
Eu só sigo com a neblina do alvorecer

Mas, as correntes que me prendem
São as mesmas correntes que me fazem não viver nada disso
Queria dizer adeus
Mas ainda não posso
Queria dizer adeus
Mas, infelizmente, o que eu sinto por você me prende aqui

Queria dizer adeus...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ame mais

A poesia
move toda
e qualquer coisa que ama

Mas, sem o amor
a poesia não se move, ficando
invisível aos olhos apaixonados
solitários(ou não) de um poeta 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Lei(a)(mais)tura

Tem gente que acha
que sabe de tudo
por tudo o que vê

Mas, ora!
Como alguém pode saber tanto?
Se não desliga o botão da TV

Bom é entrar no universo de um livro
Bom é ler
e se conectar com a leitura

Só ela nos faz entrar num mundo que não é nosso
e trazer pro nosso mundo
um pouco do tudo que a gente leu

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cai, chuva
pra alma lavar
o fogo apagar
a pele banhar
a sede saciar
e o sertão molhar
pras flores nascerem
e o dia amanhecer
verdinho que só

Reflexo

Quem é aquele lá?
Que me imita tanto
Me irrita
Olhos nos meus
Se eu viro, vira também
Se eu pisco o olho, pisca também
Boceja
Fala, fala, tagarela
Parece comigo
Será que sou eu?
Ou será que eu é que sou ele?
Eis uma dúvida
Que sempre me vem a cabeça
Quando vejo esse ser
Cópia de mim
Visualizado
Redimensionado
Num espelho

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dança, dona moça

Não se preocupe, dona moça
As coisas são assim e por aí se vão
Não é porque o mundo parou que você vai parar
Dança, dança, dança, continue a dançar

Quero ver aquele sorriso
Aquela pré-disposição pra amar
Pra usar o amor que você tanto tem
E se deixa amar
Amor, amor, amor
Dança, dança, o mundo não é tão ruim assim
Dança, continue a dançar

Dança e sorri
Porque sorrindo a gente abre as portas
De um outro mundo
Um mundo bom
De paz
Esse mundo tá mudado, eu sei
Complicado de se viver
Mas não é por isso que a gente vai deixar de se ser

Olha, a melancolia dói
É difícil de se ter lado-a-lado
Mas passa, moça, passa
E, quando passar
Seu sorriso vai se propagar por aí
Como uma estrela que brilha, dona moça
Dança, dança, dança, continue a dançar




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A bola

A bola
nada mais é
do que
um pingo de um ''i''
que rola
ficando de pé
no pé
do pelé
e o pelé
não enrola, faz acrobacias
com
a bola
objeto tão manipulável
de valor tão impagável
nos pés de uma criança

Mais que um objeto
uma fonte
de
esperança

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A se um dia
abaixastes esse calor
que em teu peito
é gritado e rasgado
de tanta dor

domingo, 21 de outubro de 2012

Âmago

Invisível
Transpõe o transposto
Atravessa o corpo
Corta a carne
E ruge o dia
Clareando a vida
Surgindo uma nova vida
Que vive e sorri
Corpo luminoso
Que fulge no fundo do meu âmago

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Humildade

Como será que é?
A humildade
É um homem barbudo, de pés descalços, chamado de José? 
É só ser cheio de verdade

Que cara será que tem?
A humildade
Será que ela é uma senhora, cabelos brancos, rugas aparentes, jeito meio zen?
É só ter o rosto cheio de amorosidade 

Que voz será que se ouve?
Da humildade
Voz sofrida, comprimida, rouca, retrato da força que um dia já se houve?
É só ter o ouvido cheio de liberdade

Bem dizer, bem dizendo
A humildade
É virtude boa de se ter, é muito mais, é um saber, vai vendo
A humildade é a grande verdade que se tem na liberdade da amorosidade



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Versinhos nº 2

Olha, morena
tô querendo aquele teu beijo que faz raiz
tô querendo você por perto, pequena
você é o que me locomove, é a minha locomotriz

domingo, 9 de setembro de 2012

O que se segue

Folhas secas
são tão importantes quanto
as verdes
sem elas as árvores não teriam a beleza em plenitude
e a alvorada não se seguiria pelos tempos

Porque nessa vida
Como o dito por dito e já dito
repetindo o dizer
o que vem da terra
pra terra voltará
e natureza continua comandando tudo 
de uma forma
ou de outra 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Procede-se

O amanhã nascerá
quem sabe, melhor
aqui se faz, aqui se paga

A vida nos roda,
o tempo se move,
a água da fonte da eternidade
acabou
esse é o mundo real
mundo de preto, branco, amarelo
mundo de céu azul
e mar verde

Mar de águas que curam
a alma

Dias seguidos

Tem dias
que a gente passa o dia
sem saber que dia se seguirá,
num amanhã

Talvez curto,
talvez longo
mas nunca longe demais
do tempo a ser traçado

Então tem dias, tem outros
mas nunca é tão tarde
nunca se é tão impossível
de ter um dia de paz

O dia eterno irá chegar
a vida vai passar
e a gente vira pó,
a gente vira pó

O que é bom é bom e fica,
o que ruim é ruim e vai
nossos atos se propagam rumo ao dia eterno
vamos nos acreditar 


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu, por acaso, encontrei a liberdade
Mas ela tava presa, trancada a sete chaves
Encontrei o amor
Mas ele estava morto, esfaqueado, dilacerado

Vi acolá a pureza
Que estava se vendendo por um preço qualquer
Sentada ao meu lado estava a felicidade
Cheia de buracos, fraca, mole e triste

Vi, também, a fidelidade
Traindo tudo o que há de se trair
Princípios, amigos, família
Traindo a si

Vi a saúde
Gripada, calejada, a beira da morte
Eu vi
Andando por aí, tantas coisas

Eu vi
Tudo o que se poderia ver
Ao contrário
Tudo mudado, pelo mundo, que munda
E a correnteza vai seguindo
E quem não se vê
Não segue
Fica em seu leito
Vendo a vida passar

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

(des)destino




Não adianta querer mudar
Correr, fugir
Pois é quando há de se ser
Nem sempre o coração é o que tem a razão
Ou a razão é o que vem de fora do coração
Nesse jogo da vida
De partida ou de vinda
A verdade não é uma só
É fragmentada
Vários canais, várias vias
Que nos levam a outras vertentes
Nesse jogo de chegar num canto acolá
A gente vai jogando sem saber pra onde olhar


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Eu e o meu sertão na estrada do mundo

No final da tarde
quando o galo já parou de cantar
boto minha cadeira no meu terreiro
e vejo o tempo passar
hoje o céu tá bonito
a lua já saiu acolá
no fogão já tem macaxeira, inhame, batata e galinha
já pro jantar
e a minha velha, me olha lá do céu
e o meu filho, me espera lá pra gente capinar
meus tantos outros filhos de tão pouca vida
também estão a me esperar
sou homem sofrido, homem do sertão
cheio de saudade e lembranças no coração
já morei em muito lugar
mas aqui, onde nasci, é onde eu quero morar
morar até o final dos meus dias
morar até o meu reencontro
aqui a vida não é fácil
mas difícil já foi
só espero o meu tempo do depois
meu dia há de se chegar
e este homem que sou eu
continuará a perambular por aqui
nos meus filhos, meus netos e a minha família
que vou a deixar

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Insônia

Pego um compasso
faço um traço
amarrado num laço

Escrevo sem saber o que escrever
não sei o que escrevo
talvez seja uma forma de psicografia
talvez seja alguém do outro plano ditando no meu ouvido
talvez seja só eu e meus olhos diante do papel

Vejo o mundo emoldurado
de uma moldura transparente
sem a qual eu não veria o mundo nitidamente
apenas mal-visto, maldito

Mas, mesmo sem sentido
no final o que eu escrevo
sou apenas eu, num papel, numa página
num mundo furta-cor

E se um dia, menina
te perguntarem quem sou eu
apenas diga que sou
nem seu, nem meu
sou

O ponteiro hoje tá implicando comigo
briga, xinga, se adianta, corre rápido que só
e as horas me tornam um pequeno grão de areia
nessa imensidão escura que eu vejo pelos meus olhos
que já não veem
pelas horas que são
pelo sono que perdi

quinta-feira, 19 de julho de 2012

sem pé, mão e cabeça

E depois
de
um tempo
a gente percebe
que
abrimos mão de
umas coisas (coisas
que afetam a mais de uma pessoa)
para
sermos uma luz 
mais brilhante, mais incandescente
num tempo que ainda há de vir
e de se
chegar
logo onde a gente
menos
espera
nossa mente
e no nosso viver
virando
assim
uma constelação
cheia de brilho, de luz, de força
pra enfrentar a vida 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Espirros, sol se pondo, férias, terça-feira

Me acordo, doente, nariz entupido coisa e tal
Numa terça feira aparentemente de sol, dia bonito
Sabe como é
Junta o calor, pega a temperatura do corpo e dá numa cama

Mal consigo sair das quatro paredes que me prendem
Saio, olho pela janela e, como passe de mágicas, o céu está cinza!
Cadê o azul?
Volto pro quarto, só o coió, e continuo olhando pro teto conversando comigo e com o meu calabouço

Telefone toca, toca, toca, tomo remédio
Paro, penso, espirro
Ficar doente nas férias não é lá a melhor coisa do mundo
Aliás, ficar doente nunca é bom....

E na conversa com o meu eu
Reflito sobre a vida que passou e penso na que há de vir
Penso, paro e dou um salto!
A minha cabeça dói e gira como se uma ressaca tivesse me atingido

Conversas sem nexo
Ando meio disléxico
Ando meio sem ar
Espirros, sol se pondo, férias, terça feira



segunda-feira, 25 de junho de 2012

XVII

O tempo passa
Os cabelos se tornam grisalhos
A pele enruga
Não dá pra voltar pro que já foi

Não dá pra mudar os fatos
E isso já está constado, comprovado e mais do que falado
Mas nunca é muito tarde
Pra passar uma energia boa
Pra plantar amor e paz e colher o que há de bom na vida

Os presentes materiais são bons
O ganhar é bom
Mas no fim, o bom da vida
São as coisas boas que fazemos
Os amizades que colhemos
Os amores que plantamos
Os bens não carnais

terça-feira, 19 de junho de 2012

Areia

Amontoados os grãos
Em qualquer posição
Dá bussola dos tempos de ontem
E de hoje, também, tempos repetidos

Ventos os levam
Ventos os trazem
Oceano, deserto, quintal
Nos sete mares ou nos sete ventos

Fios em tufões
Milhões, bilhões, trilhões
Não se conta, não se mede
Não se é infinito

Um punhado na mão
Imensidão de corações
Em turbilhões
Faróis

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cidadão de Fundo

Através do vento atravesso o tempo
Canto o encanto do que planto
Não canto, falo
E quanto menos me vejo, me calo, calando minh'alma

Cego, então, me retranco
Vendo, são, volto
Ouvindo mais uma vez
Pelos meus olhos cor-de-freguês

Não faço o que penso em fazer
Mas penso o que faço em pensar
Meu eu pensante
Voa, plana, bate-asas, não pousa

Só não me acuse de não me ser
Eu vivo no meu mundo
Sempre do meu jeito
Cidadão de fundo

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Goles de sonhos

A grande loucura do viver
É a abertura e o fechamento do ciclo
Nasce, cresce, envelhece e morre
Nasce, cresce, envelhece e morre

Engatilhando vai o bebê
Correndo vai a criança
Andando vai o adulto
Entre tropeços vai o velho

Velho?
Velho mesmo é o mundo!
Que já viu tanta coisa
Sangue, guerra, destruição, carnificina

O mundo está doente!
De uma doença ainda na penumbra
Mas, nós, os remédios
Quebramos os nossos próprios frascos

A felicidade há se vir
Pra quem há de merecer
Genocídios não mais, holocausto não mais
Só amor e paz!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Repito

Sou o que sou
Pelo que sou
Pelo que já falei do que era
Pelo que fui e ainda vou ser
Pelos meus versos repetidos
Escritos na calada do amanhecer
Pelos meus atos tão iguais
Pelas inseguranças, pelas discordâncias
Por ser aquilo que eu sou e não mudar
Ver as coisas indo em fluxos pares
E dizendo: pare!
Aquele que acha que o que sou
Não é o que eu digo ser
Nem o que mostro
Porque ninguém e mais ninguém
Tem que dizer o que eu mostro
Se é mentira ou verdade
Já é de lei
Eu que sei

terça-feira, 17 de abril de 2012

Como uma tarde de domingo

Aquele clarão fora embora
Para voltar outrora
Claro clarão
Soprando o chão
Sujo das pétalas das almas sem amor

Lá onde há
Regas teu palmar e tuas acácias
Gosto de flor
Nos meus olhos
Que assim veem
O verde saindo desse marrom

Se sou não há vestígios
Do que os ventos trouxeram-me
Se a mesma letra me vem as mãos
Escrevo-a então nos pensamentos de ante-ontem
Molhados pelas gotas no orvalho
Caídas em beira o assoalho

Reflito-me
Feito de um reflexo na parede
Das minhas sombras
Iluminadas pelo acaso

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Já dizia...

Moça linda
Do cheiro de fulô
Chega mais pra cá
Me dá um gole do teu amor

E lá na beira do riacho
Canto pra você um ''lauê, lauê''
Choro, suplico
Tropeço nos teus cabelos

E minha tristeza
Da triste partida ou não
É não viver andando
É não voltar pro meu Sertão

Passa

No chão, as pétalas
Derramas pela casa
Já não se ouvia outro barulho além do das lágrimas
Escorrendo nos olhos daqueles que sentem dor

Já não se vê mais
Nem se pega, nem se olha
A ponte pro adeus foi construída
E, depois do surto, sumiu

Então, eis que chega
Um farol no escuro
Um calor, um aconchego, um conforto
Um abraço apertado

É tristeza no tal lugar
E alegria sabe-se lá onde
Sobe, passa, passa
Perda não, passagem

terça-feira, 3 de abril de 2012

Maquinados

Máquinas de gente
Maquinada
Pessoas industrializadas

Nada manual
Sem manufaturas
Globalização

As de hoje
Serão as de ontem, amanhã
Sem se reciclarem

Coração a pilha
Cérebro a vapor
Descarrega, recarrega, baterias

Coloco-te numa tomada
Ex pulsante, ex vibrante
Agora cheio de engrenagens enferrujadas

Aperto pra seguir em frente
Aperto para parar
Botões, engrenagens, máquinas, enfim

domingo, 25 de março de 2012

Parto daqui
Vou lá pro meu sertão
Onde o galo e o sabiá fazem uma cantoria

Lá é festa todo dia
O homem que planta e colhe
O homem que vive para não ganhar um tostão

Mas chega de tanta ostentação
Dá pra ser feliz com tão pouco
E ainda fazem questão

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um verso
Bem rápido
Se decompondo
No pensar dos meus dedos

E, de repente
Logo vem
Mais um surto de menino
Moleque, adolescente

Que no desenrolar da cama
Vai escrevendo
Bom ou ruim
Não sabe, escreve

Não escreve pro mundo
Nem pra pai, mãe, avô
Nem pra ele mesmo
Só escreve

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sopro de Verão

O mar
Tão belo, tão forte, tão calmo
Com suas ondas bravas, inquietas
Com um sono calmo, raso e nunca monótono

Sem rotinas
Mesmices, malemolências
Sem física, química, história ou geografia
Frente a frente ao infinito

Procura o que tu queres
Além do horizonte
Existe um baú
Cheio de felicidade

E a procura irrefutável
Soa nada maleável, um sopro
Soco no escuro
Uma banda de ventos

A, o verão
Indo e voltando
Passando de mão-em-mão
Se moldando nos ventos, nas águas, um retrocesso inverso

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Escrevo aqui um textinho. Vou no diminutivo, falando com carinho. Sem pressa, buscando a felicidade, sorrindo. Não vou correr, nem me adiantar, vou seguindo com fé e com a cabeça no lugar. O caminho que há de vir vem torto. Se modifica de segundo em segundo, não para, nós não paramos, ninguém pode parar. É a vida que não saí do lugar. E pra quem acha que não vai conseguir, que eu não vou sair daqui, acha errado. O meu lugar está guardado. Dentro desse pequeno grande mundo que sou eu, cambaleando, buscando o certo no errado. Lá vou eu mais uma vez...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dois passarinhos(YeD)

Dois passarinhos
Correndo ao redor dos meus pés
Fazendo pequenos ninhos

Em seus bicos, dentes faltando
Grandes gaiolas, pequenas asas
O mundo girando

Rodando de ninho-em-ninho
Dormindo no balanço da rede do pai
Um contador de histórias contadas baixinho

Ele segue em direção ao sertão
E, como companhia, seus dois fiéis passarinhos
Camaradas, rumo a Seu Sebastião

E quando chegam lá, correm até longe
É pulo, pirueta, papagaiada
É tica-tica, corre-corre-, esconde-esconde

Não se cansam
Não param quietos
Não descansam

Fiéis companheiros de Estrada
Dois passarinhos e o seu pai
Sendo felizes sem se preocupar com nada

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ditadura em alta
Democracia em baixa
Que mundo é esse de tiranos?
Onde uns não tem dinheiro nem para ''uns panos''

Uns correm pra matar
Outros matam pra correr
Dinheiro rasgado, enterrado, cuspido, lacrado
Em sete chaves, dinheiro

Tá na palma da mão
No alcance de uma formiga
Rolando na ladeira da selva
Se multiplicando pra uns e pra outros...

Tem gente que pode e que quer
E tem gente que nem se quisesse, poderia
Me diziam
Me diziam que o sol não nasce redondo pra todos

Mas o céu
O céu ta aí, de janelas abertas e portas escancaradas
Com um sorriso na testa
Abraçando todos nós

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Beleza

Uma rede, uma água-de-coco
Um pôr-do-sol a beira mar
Vida boa sem par

Um alguém para se conversar
Um lugar modesto
Num lugar qualquer

Quero todas as coisas boas da vida
Um dia com calmaria no final
Um sereno no acordar da manhã

Um anoitecer em um dia de sol
O sorriso puro de uma criança
Uma vida com muitos fios

E as alegrias multiplicadas
Irão sorrir para o fim
Grande jornada para o lugar a se chegar

sábado, 7 de janeiro de 2012

Um eu só meu, um pedaço de mim com começo e que nunca tenha fim. Um eu bonito e finito, um eu meu, um eu de mim, um eu assim.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O papel

Te dei um papel
Não era dinheiro, não era cheque
Não tinha cheiro, não tinha cor
Te dei um papel com o meu amor

Esse papel que você nem leu
E amassou
Picotou
E queimou

Não eram versos qualquer
Nem rimas clichês de de um alguém apaixonado
Te dei um papel com o meu amor
Escrito em azul

Não te exaltava
Não te colocava em um pedestal
Nem te jurava amor eterno
Era apenas um papel

E nessa papel
Não tinha nada incomum
Nem palavras difíceis, nem citações preferidas
Tinha, sim, um singelo e sincero ''eu te amo''

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Aqui vai uma riminha
Que começa num pé a acaba noutro
Pois a vida não é um jogo de adivinha
Desse mundo eu faço outro

Rimo a ave com o mar
Uso o homem com a ventania
Pego o pensamento e jogo no ar
E vou brincando com a astrologia

A minha mania é ser
Dessa mesa eu faço uma canção
Uma canção pra bendizer
Uma canção pra imensidão