quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sobre completar 18 anos:

Acordei
Não tinha mulher, nem filhos
Nem apartamento com utensílios
Nem carteira de habilitação
Muito menos a chave do carro na mão
Apenas um novo reconhecimento jurídico
Mãe, agora eu vou ter que votar em político

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ides lá, ó meu amor
Ides lá com as ondas do mar
Pois se ficas por aqui
Não tens tempo pra sonhar

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O condor passa

O condor passa
forte ameaça
fruto de uma teoria
fruto da ciência
fruto da sobrevivência

O condor passa
voa mansinho
calculista
e na hora do bote
acelera o passo, tem asas de aço

O condor passa
não faz graça
não sorri
continua centrado
cada passo amplamente calculado

O condor passa
a ave de rapina
que corta a neblina
engole chuva
atravessa trovão

O condor passa
nós também
aliás
nós passamos com a vida ou a deixamos passar?
O condor passa

domingo, 21 de abril de 2013

Canto pra vida, canto da vida

Eu quero
uma casa bem na praia pra morar
e quero que você esteja lá
pra eu ter pra quem voltar
pra eu ter pra quem voltar

Eu espero
um dia poder chegar
num lugar onde eu não sei onde está
só pra poder
viver em paz

E eu quero
um dia bem distante do fim
com uma grama bem molhada
e deitar, olhar pro céu
e ver você chegar

E estando
bem junto, em frente ao mar
o horizonte admirar
e dessa vida, e nessa vida
fazer poesias, canções, confissões, relatos

Ouvindo o balançar das árvores
o cantar dos pássaros
e a correnteza do rio
poder deitar em chão macio
e contemplar a vida

Estando
sempre na presença de tudo
tudo o que há em mim
tudo com você aqui
e o mundo apreciar

Deixando para trás tudo que é banal
tudo o que me consumiu
e ser feliz com o que a vida
tem de melhor
pra se mostrar

E viver sem preocupação
E viver sem
E viver...
E
Viver 

terça-feira, 2 de abril de 2013

O vento sobe
pela ladeira
e sopra no meu ouvido

E desse sopro
surge então, como surgem as outras coisas
uma poesia

Poesia essa
quente ou fria
como as correntes do vento que me sopra o ouvido

quinta-feira, 21 de março de 2013

Quando a gente cresce

O azul bebê, virou azul-escuro
e escuro virou apenas a noite

Os monstros que eu via(no escuro)
agora são outros
com outras formas
semelhantes a que eu tenho

E o que era pudor, virou normal
E, o normal, virou pudor
E a verdade, mentira
E a mentira, verdade 

Nem cantiga de roda, nem esconde-esconde
Não corro, não grito, não pulo
E quando grito, corro e pulo é com medo da vida
é com medo do tempo

Por isso
digo aqui e, que, fique bem explicado
Em alto e bom tom
Quando eu crescer quero ser criança



domingo, 3 de março de 2013

Quem faz quem

O que eu escrevo
tem de mim
a minha maior parte

Muito do que eu falo
tem de mim o que eu não ensaio
pra falar

Mas a poesia
se você reparar
pode até sentido não ter

Mas, oras!
se você não sente
o que vai entender?

A poesia é muito mais pra se sentir
do que se compreender
porque quem sente, compreende por conhecer sua alma

E quem conhece a alma da poesia, conhece a do poeta
pois o poeta deposita um pedaço do seu âmago 
em cada poesia expele dos seus dedos, da sua fala, da sua mente

E se você me perguntar:
você faz poesia, meu rapaz?
eu direi que não, é ela que me faz