sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Y

E do meu alto vejo um som
Ondulado, meio gasto, sem cor
Migrando de tom em tom
Inquieto, ligado num compressor

E nesse mesmo alto, nessa mesma elevação
Recompondo-me de nada
Sorrio, mais uma vez, com afeição
Com um sorriso de início de jornada

E essas várias maneiras de me decifrar
Essas várias maneiras de me sentir satisfeito
Me fazem querer, o mundo, aclamar
Só com aprendizados, nenhum desproveito

E tentando expressar o meu eu
O expresso assim, como uma vida no fim
Tentando alcançar o meu apogeu
Como conversas de botequim

Mas o barato da vida é viver
E tentar se achar
Viver e entender o quão complexo é ser
Viver e tentar achar o mundo em uma bola de bilhar

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Retratos

Fragmentos de fotos voam ao meu redor
Lembranças aparecerem como um rascunho qualquer
Fotos sem autor
Memórias de um homem, duas crianças e uma mulher

Momentos que por aí já ecoaram
Pessoas em um retângulo
E isso eles olvidaram
Esqueceram em todo seu pensamento nulo

E a felicidade ainda grita
Pedindo para que a achem novamente
Tocando sua gaita
Esperando que o amor deles a alimente

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Amar não rima só com achar
Rima com ficar junto, com a gente
Não só com namorar, abraçar, agarrar
Rima com felicidade, com querer avidamente

Rima com tudo, rima com quero, querida, querer
Rima com o mundo, com o que eu fiz
Rima até com o que eu vou fazer, com o meu prazer
Rima com chafariz, com ser feliz, com um quadro de giz

Amar rima com a vida
Com o cotidiano
Vai rimando até com contrapartida
E com o plano Cartesiano



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Vai passando

E na vida
Tudo passa
Passa tudo
Passa o mundo, o peixe, o pássaro, o avião
Passa o Sabiá, lá no meio do sertão
Passa até o pião, em dia de rodeio
Passa até a gente em dia de sorteio
Passa o trabalhador, no fim do mês
Com o coração na mão
Tendo que se virar
Mesmo sem ter um tustão
Se vira em um, em dois, em três
E tudo isso pra que?
Afinal, tudo passa
E passa

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eterno amigo

Frio ou quente
Cansado ou doente
Sempre carrego comigo
O ombro do meu amigo

Nas horas boas ou ruins
Quando nem eu me apoio mais
Surge, mais uma vez, um amigo
Nem sempre por perto mas nunca distante

Meu amigo,
Nunca se passou de perfeito pra mim
Nunca tentou ser parecido comigo
Mas, nunca, deixou de ser meu amigo

Nunca evitou desavenças
Nunca se meteu na minha crença
Nunca foi maior ou menor do que eu
Só meu amigo que segue comigo rumo ao apogeu

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Observador

E quando eu olho pro mundo
Com meus olhos atentos
Tento vê-lo por um ângulo melhor

Quando eu olho pra vida
Com meus olhos amargos
Procuro vê-la feliz

Quando eu olho pras pessoas
Com meus olhos cansados
Tento enxergar o amor

Quando eu olho pra mim
Com meus olhos caídos
Vejo o mundo, a vida, as pessoas
Todos ao meu redor, num canto só

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tem coisas nessa vida
Que se você for prestar atenção
Não tem saída
Não dá para agradar, não dá

Por mais que você tente
Tente se controlar
Não se consegue o total do esperado
O que acontece é que você não tenta se mudar

E reclama, e reclama
E no final não aceita
Não se policia para uma melhora
Nem se muda, só continua